O que o governo quer mudar com a nova reforma trabalhista

O que o governo quer mudar com a nova reforma trabalhista
 
 
Dois anos depois da aprovação de uma ampla reforma trabalhista durante a gestão de Michel Temer, o governo de Jair Bolsonaro estuda novas mudanças na legislação do trabalho.
 
Desde o último dia 5 de setembro, o Grupo de Altos Estudos do Trabalho (Gaet), criado por portaria do Ministério da Economia, vem se reunindo para fazer um diagnóstico da situação atual da legislação, servindo como base para o debate sobre a modernização das relações trabalhistas e o futuro do trabalho.
 
Ao fim das discussões, que devem durar 90 dias, o diagnóstico será apresentado ao secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, que debaterá, com as demais áreas do Ministério da Economia, o encaminhamento em torno de uma proposta de governo para modificações na legislação trabalhista.
 
Embora o Ministério ainda não comente que propostas deverão ser debatidas no grupo, os quatro grupos temáticos estabelecidos dentro do Gaet – Economia do Trabalho; Direito do Trabalho e Segurança Jurídica; Trabalho e Previdência e Liberdade Sindical – indicam em que áreas o governo pretende mexer para fazer uma nova modificação na legislação, dois anos depois da reforma trabalhista aprovada no governo Temer.
 
Do trabalho, o secretário espera tirar indicações de projetos de lei e propostas de emenda à Constituição que contribuam para a geração de empregos: “Esperamos nestes três meses termos produtos para começarmos a discutir com o Parlamento e o conjunto do Executivo”. Confira o que os grupos de trabalho discutirão e quais medidas podem ser adotadas:
 
 
Economia do trabalho
 
Eficiência do mercado de trabalho e das políticas públicas para os trabalhadores; informalidade; rotatividade; e futuro do trabalho e novas tecnologias.
 
Se o desemprego começou a cair após a reforma trabalhista de Temer, foi graças à informalidade. São mais de 38 milhões de brasileiros (41%) trabalhando sem carteira assinada, segundo a Pnad Contínua, do IBGE, de julho – maior número da série histórica, iniciada em 2012. Um terço dos desempregados tem entre 18 e 39 anos.
 
Um dos grandes problemas da informalidade é na arrecadação de tributos relativos à folha de pagamento, principalmente com relação às contribuições previdenciárias, uma vez que apenas o valor recolhido dos 59% de trabalhadores no mercado formal (e de seus patrões) acaba tendo que sustentar todo o sistema.
 
Nesta área, então, o governo pretende discutir flexibilizações na legislação para aumentar a formalidade, incentivando contratações e a inserção dos jovens no mercado de trabalho.A grande aposta é a “carteira de trabalho verde e amarela”, oferecida a trabalhadores jovens e que ingressariam no mercado de trabalho com menos direitos que os definidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e com menos tributos a serem pagos pelo empregador, o que seria um incentivo à contratação.
 
Aqui, também, deverá ser discutida a formalização, a regulamentação e a tributação de trabalhos autônomos e por plataformas digitais, como aplicativos de transporte, de serviços e de entregas, por exemplo.
 
Na primeira reunião do grupo, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, que coordena os trabalhos, defendeu que a modernização trabalhista brasileira esteja adaptada e conectada aos desafios impostos pelas novas formas de emprego existentes no país e no mundo.
 
“É cada vez menor o número de pessoas com carteira assinada de maneira tradicional no país. Temos um número muito grande de trabalhadores por conta própria, MEIs, autônomos, motoristas de aplicativos, empreendedores individuais e essa é uma tendência do mundo inteiro e precisamos nos adaptar a elas. Precisamos entender o que está acontecendo no Brasil e no mundo e de que forma o Estado brasileiro pode responder a esse desafio que é mundial”, disse.
 
 
Direito do trabalho e segurança jurídica
 
Simplificação e desburocratização de normas legais; segurança jurídica; redução da judicialização.
 
Um dos grandes resultados da reforma trabalhista de 2017 foi a redução da judicialização de demandas trabalhistas. Muito desse resultado se deve à medida que obriga o empregado que perde ação trabalhista a pagar os honorários advocatícios. A possibilidade de acordos demissionais e de acordos coletivos de trabalho também reduziu a busca pela Justiça para a resolução de demandas trabalhistas.
 
Há, no entanto, ainda muita insegurança jurídica quanto à validade de alguns termos da reforma e casos semelhantes estão tendo julgamentos diferentes, por conta da resistência de alguns juízes em aplicar as novas leis. Neste grupo de trabalho, o governo pretende deixar ainda mais claras as normas legais, para evitar esses conflitos e garantir, entre outras questões, a legitimidade e eficácia das negociações coletivas.
 
Membro do grupo de trabalho, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho Ives Granda Martins Filho defendeu, em artigo publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, a revisão da legislação para trazer mais segurança jurídica.
 
“A resistência não se dá apenas quanto ao fruto da negociação coletiva, mas especialmente à nova legislação trabalhista. Por óbvio que nenhuma lei é capaz de gerar emprego por si só, especialmente quando não aplicada pela Justiça. Num clima de insegurança jurídica, causado pelo próprio Poder Judiciário, quem se arriscaria a criar postos de trabalho aproveitando as novas formas de contratação ofertadas pela lei?”, questionou.
 
 
Trabalho e Previdência
 
Insalubridade e Periculosidade; Regras de notificação de acidentes de trabalho – CATs; Nexo Técnico Epidemiológico; Efeitos previdenciários de decisões da Justiça do Trabalho; Direitos do trabalhador decorrentes de benefícios previdenciários.
 
O governo pretende discutir a contribuição previdenciária patronal, que hoje é de 20% sobre a remuneração paga ao trabalhador, a principal fonte de recursos da Previdência Social. A proposta é substituí-la por um imposto mais amplo para bancar a Previdência, não sobrecarregando o empregador, o que reduziria o custo do emprego formal no país.
 
A ideia mais avançada para tal substituição era a criação do Imposto dobre Pagamentos, que incidiria sobre todas as transações financeiras, a exemplo da antiga CPMF. Mas o projeto foi derrubado pelo presidente Jair Bolsonaro, que determinou a demissão do secretário da Receita, Marcos Cintra, e a retirada da nova CPMF da reforma tributária.
 
O governo também pretende rever e simplificar normas de saúde e segurança no trabalho que, na avaliação da equipe econômica, engessam o empregador e incentivam a informalidade.
 
“Só as NRs (normas regulamentadoras) dispõem de 6.900 multas diferentes que podem ser aplicadas ao empreendedor no Brasil. É humanamente impossível que empreendedor tenha acesso a esse cipoal de normas, muitas delas anacrônicas, bizarras, sem relação com o dia a dia”, disse o secretário Rogério Marinho na primeira reunião do grupo.
 
 
Liberdade sindical
 
Formato de negociações coletivas; Representatividade nas negociações coletivas; Registro sindical.
 
Neste quesito está a questão em que o governo tem mais clara sua intenção: eliminar a unicidade sindical; limitar o âmbito da representação sindical aos associados; e criar um Conselho Nacional de Organizações Sindical para regular o funcionamento das entidades e garantir a efetividade das negociações coletivas.
 
“Fomos convidados pelo governo para estudar formas de promover a liberdade sindical, modernizando as instituições neste sentido”, disse o advogado Wolnei Tadeu Ferreira, membro do grupo de trabalho. “A solicitação do governo é que esse grupo faça propostas buscando a simplificação das normas, a segurança jurídica às partes, dando força à negociação sindical. O governo pensa em propor a pluralidade sindical, para dar mais força e representatividade.”
 
Segundo Ferreira, as propostas não servirão para enfraquecer sindicatos, mas para diminuir a divisão e aumentar a representatividade dos sindicatos mais fortes. “A orientação é fortalecer a representação e não enfraquecer”, afirmou, citando que o custeio sindical também será debatido pelo grupo, que terá reuniões semanais em São Paulo.
 
 
 
Fonte: Gazeta do Povo
As matérias aqui apresentadas são retiradas da fonte acima citada, cabendo à ela o crédito pela mesma

“Mais mudanças: Bolsonaro cria grupo para formular nova reforma trabalhista”

“Mais mudanças: Bolsonaro cria grupo para formular nova reforma trabalhista”
 
 
“O governo de Jair Bolsonaro criou um grupo de trabalho para discutir novas mudanças na legislação trabalhista, pouco mais de dois anos após a aprovação de uma ampla reforma elaborada na gestão de Michel Temer.
 
O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, confirmou a informação compartilhando, em seu perfil no Twitter, uma matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo a respeito do assunto.
 
O chamado Grupo de Altos Estudos do Trabalho (Gaet), composto por ministros e magistrados, deve ser instalado nesta sexta-feira (30). A coordenação será do ministro Ives Gandra, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), e da juíza do trabalho Ana Fischer.
 
Também no Twitter, a juíza agradeceu a indicação, e disse que “há muito o que ser feito” para simplificar contratações e revisar o modelo sindical brasileiro.
 
A Gazeta do Povo entrou em contato com o Ministério da Economia, para saber detalhes sobre a periodicidade das reuniões do grupo e os principais pontos discutidos. No retorno encaminhado à reportagem, porém, a pasta não deu maiores informações sobre como funcionará o Gaet.
 
A nota do Ministério diz, apenas, que o secretário Rogério Marinho irá coordenar uma reunião preparatória para a criação do grupo. O texto também explica que o Gaet “vai tratar, entre outros assuntos, sobre segurança jurídica, previdência e trabalho”.
 
De acordo com informações levantadas pela Folha, o Gaet será composto por quatro órgãos temáticos, que terão encontros quinzenais. O grupo completo deve se reunir uma vez por mês.
 
Entre os pontos que serão alvo dos estudos, ainda segundo o jornal, está o fim da unicidade sindical – uma regra que permite que exista apenas um sindicato em determinada unidade territorial. O objetivo seria promover a “pluralidade” de entidades do tipo no país.”
 
 
“MP incluiu alterações trabalhistas
 
Já foram feitas mudanças na legislação trabalhista no próprio governo Bolsonaro. As alterações foram incluídas pelo Congresso na chamada Medida Provisória da Liberdade Econômica, assinada pelo governo em abril de 2019 para desburocratizar o ambiente de negócios no Brasil.
 
A principal alteração foi o estabelecimento do chamado ponto por exceção, em que o trabalhador pode, mediante um acordo individual com o empregador, registrar a jornada somente em casos excepcionais (folga, férias e falta). Nesses casos, o empregado não registraria a entrada e saída do trabalho, nem o horário de almoço. Hoje, esse tipo de registro pode ser feito, mas mediante acordo coletivo com os empregadores.
 
Outras mudanças acabaram sendo excluídas durante a tramitação da MP, por serem consideradas alheias ao escopo inicial do texto. Foi o caso da liberação completa do trabalho aos domingos, que foi retirada da matéria pelos senadores.
 
Algumas categorias, entretanto, ainda podem ser afetadas com mudanças nas regras de trabalho aos finais de semana, por conta da revogação de alguns artigos da CLT e de outras leis trabalhistas. Pelo texto, professores poderiam trabalhar aos domingos, e os bancos ficariam liberados para funcionar aos sábados.
 
O novo texto ainda não está em vigor, porque aguarda sanção do presidente Jair Bolsonaro.
 
 
Continuação da reforma de Temer
 
As mudanças estudadas pelo governo Bolsonaro devem ampliar as já implementadas na gestão de Michel Temer (MDB). Em 2017, o então presidente sancionou um projeto com alterações significativas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
 
Entre as mudanças implementadas no governo Temer está a criação de novos tipos de jornadas de trabalho, como o teletrabalho (também conhecido como home office) e a jornada intermitente (em que o trabalhador recebe por hora). Outra alteração estabeleceu o fim do imposto sindical obrigatório.”
 
 
 
Fonte: Gazeta
As matérias aqui apresentadas são retiradas da fonte acima citada, cabendo à ela o crédito pela mesma