O Watson, da IBM, fica mais brasileiro

O Watson, da IBM, fica mais brasileiro
 
 
No mundo corporativo, a plataforma Watson, da IBM, virou quase sinônimo de inteligência artificial. Hoje, o serviço da IBM já é usado em clientes de 20 indústrias em mais de 80 países.
 
No Brasil, o banco Bradesco, o laboratório Fleury, a escola de negócios Saint Paul, a montadora alemã Volkswagen e o Instituto do Câncer do Ceará (ICC) são exemplos de empresas e instituições que utilizam o Watson no seu dia a dia.
 
Mas, até agora, as empresas daqui acessavam os recursos do Watson em um data center fora do Brasil. Mas isso vai mudar. A plataforma de inteligência artificial da IBM ficará mais brasileira. A empresa anunciou uma expansão de sua plataforma de computação em nuvem na América Latina.
 
Hoje, a empresa conta com dois data centers na região – um no Brasil e outro no México. Até 2020, terá mais um no Brasil, criando a primeira IBM Cloud (Multizone Region) da América Latina – são seis ao redor do mundo.
 
Com isso, a big blue, como ela é conhecida, passará a oferecer o portfólio completo de serviços do IBM Cloud, como o Watson, Blockchain, internet das coisas, entre outros. “Esses serviços são só localizados em mercados considerados relevantes”, afirmou Tonny Martins, presidente da IBM Brasil.
 
Martins, que começou como estagiário na IBM, atuou no México e Xangai, antes de assumir a operação brasileira, em janeiro de 2018.
 
Nesta entrevista exclusiva ao NeoFeed, Martins fala das transformações pelas quais a IBM passou e avalia o impacto da inteligência artificial nas empresas.
 
“A empresa do futuro é a cognitiva”, diz o executivo. “Ela pode ser autoajustável dinamicamente, muito mais automatizada e muito mais inteligente.”
 
 
Confira os principais trechos:
 
Você começou como estagiário na IBM. Hoje comanda a IBM Brasil, mas já atuou no México e Xangai. O que mudou na IBM neste período?
Eu te diria três coisas principais. A IBM sempre foi, historicamente, uma empresa inovadora. Só que hoje, através da adoção de metodologias como design thinking e Agile, conseguimos levar para a ponta essas transformações de forma muito mais rápida. Uma segunda mudança é a nossa abertura e conexão com os ecossistemas. Cada vez mais tratamos os parceiros de negócios, sejam startups ou empresas estabelecidas de determinados nichos ou com DNA tecnológico, como uma extensão natural da IBM. Eles fazem parte do processo de cocriação de produtos e serviços e se utilizam da nossa plataforma para levar uma solução na ponta para qualquer tipo de empresas: pequenas, médias e grandes. E a terceira grande mudança foi na liderança. Hoje temos uma transição de liderança que vem do mundo tradicional e que era mais protocolar e processual, para uma liderança de mais impacto, mais coloquial e mais conectada com as novas gerações.
 
A IBM já passou por diversas revoluções, como a dos computadores pessoais, serviços e inteligência artificial. Qual a próxima?
A próxima revolução tem a ver com a evolução da inteligência artificial conectada com computação quântica, Blockchain e com o que chamamos de indústria 4.0. Chegamos um ponto em que a tecnologia pode e deve ser democratizada. E deve trazer também um impacto social muito grande.
 
A IBM anunciou a expansão dos serviços de computação em nuvem no Brasil. Como a empresa se posiciona neste mercado em relação a AWS, Google e Microsoft?
Nos posicionamos como a empresa que vai ajudar nossos clientes a gerenciar esse mundo, que é de múltiplas nuvens, híbrido e complexo. A gestão e governança de múltiplas infraestruturas é o nosso DNA. É onde temos a liderança na maioria dos mercados. Além disso, acreditamos que o nosso posicionamento está muito mais conectado ao conceito de plataforma as a service, e não em infraestrutura as a service, que enxergamos como uma commodity. Entendemos que a IBM vai ser mais uma nuvem extremamente relevante às empresas.
 
Você foi muito diplomático e não citou nenhum concorrente. Com o conceito de nuvem múltipla você quer dizer que pode trabalhar com vários concorrentes?
Entendemos que vamos trabalhar com vários concorrentes e vamos ajudar os clientes a gerenciar esses vários concorrentes.
 
Como a IBM enxerga a evolução do Watson no Brasil? Em quais áreas ele deve ser mais usado?
O Watson hoje é sinônimo de inteligência artificial empresarial no Brasil. Enxergamos como sua evolução o que chamamos de empresa cognitiva, que é levar a inteligência artificial para várias iniciativas. Ela vai ser onipresente em todas as áreas das empresas, do atendimento, onde já é muito usado, passando por gestão da cadeia de suprimentos, criação de produtos e serviços, chegando ao aumento de eficiência operacional. A empresa do futuro é a cognitiva. Ela pode ser autoajustável dinamicamente, muito mais automatizada e muito mais inteligente.
 
Quais setores vão se aproveitar dessa inteligência?
A inteligência artificial vai revolucionar todas as áreas e todas as indústrias. Há indústrias que são intensivas em tecnologia, como bancos, seguradoras, varejo e operadoras de telecom. Mas também em áreas como construção civil, esportes e saúde. Qualquer indústria pode ser repensada a luz da revolução tecnológica.
 
Por outro lado, muito se fala sobre o impacto da inteligência artificial na sociedade. Muitas profissões vão desaparecer e outras vão surgir, mas há o risco de muitas pessoas perderem o emprego. Estamos preparados para o impacto da inteligência artificial?
A IBM tem um trabalho muito forte para ajudar o ecossistema a se transformar. Temos uma série de iniciativas, como a do Centro Paula Souza, do governo do Estado de São Paulo, que visa a encurtar o caminho de quem está no ensino médio a encontrar essas novas vagas em tecnologia e que não necessariamente exigem uma formação superior. Temos uma série de iniciativas em plataforma de ensino. Um exemplo é a LIT, parceria entre IBM e Saint Paul, que usa a inteligência artificial na personalização do conteúdo e na entrega desse conteúdo, entendendo o seu contexto e o seu momento.
 
A economia brasileira deve crescer menos de 1% em 2019. No entanto, as empresas de todos os setores estão investindo milhões de reais em projetos de transformação digital. Não há crise para o setor de tecnologia?
Eu diria que, no nosso caso, temos crescido muito. E obviamente por sair na frente, isso se reflete em nossos resultados. Temos visto um crescimento importante. Até porque, em momentos de crise, você pode usar a tecnologia para ser mais competitivo, aumentar a eficiência operacional e reduzir custos, riscos e perdas. Empresas do nosso setor, que estão indo além da computação tradicional, têm visto índices de crescimento importantes.
 
Você, então, está otimista?
Sim, estou otimista.
 
 
 
Fonte: NeoFeed
As matérias aqui apresentadas são retiradas da fonte acima citada, cabendo à ela o crédito pela mesma

7 curiosidades sobre o Watson da IBM

7 curiosidades sobre o Watson da IBM
 
 
Em 2017, a IBM completa 100 anos de Brasil. Provavelmente por esse motivo eles estejam convidando jornalistas, influenciadores e YouTubers para conhecer melhor o universo IBMista. Em agosto, tive a oportunidade de passar uma tarde na sede da empresa em São Paulo e trago algumas curiosidades sobre o Watson, solução de computação cognitiva da empresa que já aprendeu português, esteve recentemente ajudando na interpretação de obras de arte da Pinacoteca do Estado de São Paulo, e é também ponto de partida para vários produtos para outras empresas.
 
 
 
1. Mais do que uma inteligência artificial, Watson é uma solução de computação cognitiva
 
Comumente chamado de inteligência artificial – o que não está de todo o errado – o Watson é descrito pela própria IBM como uma solução de computação cognitiva e ela surge com a expansão da Internet, a partir do ano 2000, quando um grande volume de dados estruturados e não-estruturados e em formato de áudio e imagem foi gerado, criando uma nova classe de problemas relacionados à interpretação de dados não-estruturados que até então esses sistemas programáveis não conseguiam resolver.
A computação cognitiva surge para ajudar nesse desafio, uma vez que é a computação voltada à geração de conhecimento baseado na interpretação e extração de significado dos dados, primariamente não-estruturados, os quais seriam muito difíceis de serem tratados por meio dos sistemas programáveis tradicionais. Vale dizer que por trás da computação cognitiva há uma gama de tecnologias de inteligência artificial, como processamento de linguagem natural, geração de hipóteses baseada em evidências, aprendizado de máquina e dezenas de outros algoritmos e tecnologias que analisam as evidências em diferentes dimensões como tema, popularidade, confiabilidade da fonte de informação, em especial no tratamento de grande volume de dados.
 
 
 
2. Não, o Watson não é um supercomputador
 
Durante anos chamado de supercomputador, o Watson não é um supercomputador no sentido físico, isto é, não existe uma máquina chamada Watson em algum lugar do mundo respondendo suas perguntas. O Watson habita vários centros de dados, os chamados data centers, da IBM, logo, está em um sem número de máquinas. Logo, não é um supercomputador, mas vários computadores interligados funcionando em rede e na nuvem. Sendo mais clara, o Watson não é um hardware, mas um software, logo não podemos chamá-lo de supercomputador.
 
 
 
3. Sim, no Jeopardy! o Watson assumiu uma forma física
 
Em 2011, quando o Watson venceu o programa de perguntas de conhecimento gerais da TV norte-americana Jeopardy! a unidade que foi levada para os estúdios era uma versão física do Watson, composta por 10 máquinas que, para ser justo com os demais competidores, não poderia estar conectada à Internet. Na preparação para o show, Watson aprendeu praticamente a Wikipédia inteira, e contava com um braço mecânico que apertava o botão de resposta para simular a demora humana de pensar e agir.
 
 
 
4. Não, o Watson não é um sistema de perguntas e respostas
 
Prova disso é o próprio Jeopardy!, no qual Watson sempre mostrava três alternativas de respostas, apontando como sendo a escolhida aquela que tinha 50% ou mais de confiabilidade.
 
 
 
5. O Watson faz uso de dados não-estruturados
 
Segundo empresa, 80% dos dados gerados por meio de textos, imagens, vídeos e posts em redes sociais são desestruturados. Isso quer dizer que são de difícil interpretação aos olhos da computação convencional. Apesar de serem vistos, lidos e consumidos por pessoas, essa montanha de informações não representa nada se não for analisada e interpretada. Enquanto um computador tradicional é capaz de pegar informações estruturadas e organizá-las na forma de uma planilha, por exemplo, a computação cognitiva do Watson é capaz de compreender diferentes receitas de torta de maçã e, a partir disso, criar novas receitas. Uma receita de torta de maçã é um dado desestruturado, pois não tem uma lógica contínua.
 
 
 
6. Watson já fala nove línguas, incluíndo português
 
Segundo um texto recente da Wired, a culpa do Watson já falar português é do Bradesco. Um dos maiores bancos do Brasil, o Bradesco se associou à IBM para adicionar aplicações cognitivas a uma série de departamentos e serviços, começando por seus call centers. Com um centro de pesquisa e desenvolvimento da IBM bastante ativo no Brasil, o português brasileiro foi uma escolha natural. Inicialmente, o Watson está fornecendo suporte para os atendentes de call center, ajudando-os a acessar informações e a responder consultas dos clientes de forma mais eficaz. A longo prazo, o Watson deve interagir diretamente com os clientes que buscam pelos serviços telefônicos do Bradesco.
 
 
 
7. Watson, ao contrário do que muitos pensam, não é uma homenagem a Sherlock Holmes
 
A homenagem, na verdade, é para Thomas J. Watson (1874 – 1956), um empresário estadunidense visionário que foi presidente da Computing-Tabulating-Recording Company, empresa que deu origem à IBM.
 
 
 
Fonte: IBM
As matérias aqui apresentadas são retiradas da fonte acima citada, cabendo à ela o crédito pela mesma